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[Terça-feira, Novembro 29, 2005]



Hoje era o dia da limpeza, com direito a muito sal grosso, arruda e deletamento de coisas vãs. Até trouxe os baldes pra chutar e deixar o sabão escorrer, vendo então o caldo sujo tomar uma forma ácida. Trouxe o espanador e vim armada; Trouxe palavras que sangram com facilidade, sendo que meus olhos e corpo pedem arrego nesses dias áridos. A viagem estava pronta, me empediram com um soco no olho e uma cotovelada no estômago, além de gritarem em minha´alma, empedindo então, de eu subir no ônibus.

É, quando ´o bicho tá solto´ é melhor mesmo sorrir e se fazer de bem entendida.


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[Domingo, Novembro 27, 2005]

Nada de interessante

A quanto tempo que eu não escrevo de verdade?
Não, não, diálogos cretinos com papai e amigos não contam, além de falar da faculdade e de como isso tem afetado profundamente o meu psicológico também não conta, digo escrever de verdade mesmo, verdade verdadeira se assim preferir... É, contando nos dedos já deu os dos pés e os das mãos que não escrevo alguma coisa decente.

Pensei em falar da tal lei do aborto, só que isso já deu o que tinha que dar (sem duplo sentido) que nem eu mais quero ouvir falar, comentários e buxixos também não, sendo assim, preciso pensar em alguma coisa mais interessante.

É aí que entra a questão, pensar. O sujeito pode escrever onde bem entender e o que desejar, só que pensar estraga qualquer texto, texto no sentido não teórico, já que aqui (e creio que boa parte dos tais blogueiros) leva isso aqui pro pessoal por puro e simples prazer. Certo, isso também é o que não ter o que falar e tô inventando alguma coisa que possa ser verdade.

Sentir, é aí que entra a questão. Preciso sentir, mais especificamente sofrer, sofrer muito, rastejar, daí sim consigo escrever e escrever tudo de uma vez, sem pensar duas vezes, sinceramente isso é a desculpa mais esfarrapada de quem não sabe escrever, já diria o Galvão "90% é transpiração e 10% é inspiração". Merda! Dói ter que ouvir que você é uma fraude. Certo, estou me acostumando com isso aos poucos. Tudo bem, tirando o Sé que 'precisa sofrer' pra compor, o resto é resto. Por falar nisso já repararam nele chorando no final de 'Você pode ir na janela'? É, eu também não, ele quem me disse, daí sim que fui perceber.

E olha que não sou de me lamentar não. Não deu, não deu, ponto final, só que como tenho esse blog especificamente a um ano (acho), deveria ter alguma coisa interessante a ser dita ou então um objetivo, sei lá. Um blog de piadas ou receitas será que daria certo? É, se eu soubesse piadas e receitas, talvez sim.

Quem entra aqui e me conhece, sabe que não tenho mesmo muita coisa a dizer a não ser a minha vida pacata e nos rolos em que me meto. Não sou legal, bonita e muito menos divertida, disfarço bem, na realidade eu sou um saco de batata rufles murcha em fim de festa de criança que todo mundo come com coca quente porque não tem mais opção, claro, ouvindo o cd 'xuxa no circo', bem isso, só que no caso eu não sou comida com coca quente muito menos com xuxa tocando de fundo, ahhhh, deu pra entender. 'Deu pra entender'? Ahhhhh, desisto.
Sabe, de fato a faculdade tem me afetado, jamais pensaria escrever toda essa porcaria aqui. Certo que faltam umas duas semanas (caso eu não pegue exames) para eu terminar e virar professorinha, e se meus professores descobrem que tô usando "certo" demais nos meus textos, fora tudo sem nexo, tenho certeza que não me aprovariam. Certo, eles não entram aqui mesmo.

Final de semana cheio e com muitos trabalhos na cabeça, nunca pensei ser capaz de fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Amanhã tenho prova de Latim, de Dimensões da Educação, entregar a prova da Vicky de Lingüística Aplicada, terça tenho prova do Galvão de Língua Portuguesa, na quarta tenho entrega da prova do Cido de Literatura do maldito Macunaíma, e entrega do seminário escrito da Mayumi. Na quinta dessa vez, tenho prova da Mayumi de Literatura Norte-Americana e na sexta... É, acho que na sexta eu tô livre, não, não, é meu último dia de entrega dos trabalhos de compensação de faltas, acho.

Calma, calma, calma, eu tô bem, nerdiando mas tô bem. Agora, blog que é bom e assuntinhos bacanas, nhécas. Tô monossilábica meus caros, monossilábica.


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[Sábado, Novembro 26, 2005]

E o meu humor oscila com muita facilidade, creiam.
Ausente não querendo ser nem estar presente, basta dos verbos!
Não necessitando compreensão, só silêncio n'alma pra acalmar meus desejos e encarar a realidade. Quantas vezes já pedi isso?

Posso ir agora?

lendo: "Sangue de Coca-Cola" - Roberto Drummond


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[Quinta-feira, Novembro 24, 2005]

[indo pro caminho da roça, oops, faculdade]

- Pai, já sei o que quero de Natal
- Ah é? Que bom!
- ...
- Fala Juliana!
- Onde tá o búfalo?
- Quem?
- O búfalo! Toda vez que eu passo aqui ele tá com o focinho pra fora d´água ou então tem um monte de passarinho comendo ele.
- Os vermes, os bigatos, os carrapatos, as folhinhas
- Isso mesmo! Mas você não viu mais ele, pai?
- Sei lá onde ele tá, deve tá dormindo ou então trabalhando, afinal, alguém nesse IZ precisa trabalhar!
- ...
- Fala logo Juliana, o que você quer de Natal?
- Uma linda ovelha felpuda!
- Ovelha felpuda? Nunca vi!
- Ai pai, você entendeu! Eu quero, me dá umaaaaa?
- Pra você colocar ela na tua cama?
- Isso! Na minha cama!
- Pra ela mastigar ainda mais o seu lençol?
- Isso mesmo!
- Pra ela beber água da tua privada?
- Isso!
- E pra ela soltar pêlo no teu carpete?
- Adivinhou! Agora me dá?
- Tá, eu peço pro Daniel desenhar uma pra você.
- Não pai, eu quero uma de verdade verdadeira!
- E existe verdade não verdadeira?
- Claro! A verdade mentirosa!
- Ai Juliana, você tá ouvindo muito esses caras aí.
- Nem vem disfarçando, vou querer!
- Tá, eu te dou. O que mais?
- O meu gato preto!
- Ahhhh começou, daqui a pouco você vai querer uma girafa.
- Hahaha, como você sabe?
- Girafa Juliana? Ai meu Deus...
- Promessa é dívida! Agora eu quero!
- Casa aí com esse Camelo então que você vai viver na selva.
- Hahahaha, você é pior do que eu, até decorou o nome!!!
- Claro, você me obriga a ouvir só essa porcaria! Por falar nisso pode trocar esse cd de defunto.
- Ihhh, nem vem que eu sei que você gosta!
- Só da Anna Júlia. [rindo timidamente]
- Então! Pode ir se acostumando, ele vai me levar pra selva, esqueceu?
- Com defunto barbudo que canta essas músicas horríveis? Deus me livre! Só você mesma pra gostar dessas coisas... Camelo, onde já se viu?
- Ai pai, você é lindo!



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[Segunda-feira, Novembro 21, 2005]




Eu queria ter um cachorro pra poder vestí-lo de leão no halloween.
Também queria ter um varal pra poder estender as roupas e observar o sol evaporando a água e o cheiro do sabão no ar.
Uma rede de cordas na varanda, sendo assim, eu também queria ter uma varanda.
Um conjunto bacana de pratos e talheres pra convidar os amigos e um viodeokê com Erasmo e Topo Gigio.
Eu também queria ter filhos risonhos e divertidos, bem mais que os pais. E que lessem pra mim antes de eu dormir.
Um quadro ganhado de presente com a intenção de imitar Picasso só pra me agradar, ou então uma seleção de músicas escolhidas a dedo.
Eu também queria ir num programa de auditório e assoprar as cornetas na hora errada só pra levar bronca e ser expulsa, ou então para rir e me engasgar com serpentinas e letras das falas não decoradas.
Queria um dia passar a limpo todas as observações e palavras soltas que escrevo em todos os papéis que vejo, como também descobrir o motivo da caneta kilométrica nunca acabar a tinta.
Ter todos os livros que desejar, viajar pra Índia e aprender a fazer pudim sem me queimar.
E quartos sem tv, claro, afinal, quartos não foram feitos para se assistir televisão. Queria usar óculos por charme, mas a genética (e a idade) sei que não mais colaborará.
Talvez dias melhores para que assim meus sonhos não sejam vistos como banais, e que eu olhando pro lado volte a acreditar nas pessoas e no que elas verdadeiramente desejariam pra si.


- "De onde vem a calma" - Los Hermanos


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[Quarta-feira, Novembro 16, 2005]




E minha vida se encontra em dilemas triunfantes. E nem tanto por ouvir um conselho do Netinho (Sim, do Domingo da Gente, Negritude Júnior, o que preferir - e o meu controle supimpa contribuindo pra isso) sendo que o rapazinho disse coisas que desviou minha raiva do controle pra algo que não tinha percebido, eu mesma.

Ou você nasce com sorte, ou não, e isso não é opção de escolha e nem venha me dizer que 'você é quem faz a sua sorte' por que não é não, se é, então me prova, e nada de dia de princesa, quero mesmo provas reais, palpáveis, vamos lá! Sim, meu capitalismo aflorou de modo revoltante e triunfante, ou vai ou racha, sem guéri-guéri.

Certo, certo, a questão nem é essa e sinceramente nem sei mais o que faço aqui. Queria mesmo era descanso na alma e saber lidar com fatos mundanos, estou exausta e meus ouvidos se fecham na subida da serra, não sei lidar com a pressão da vida nem com os humanos, devo ter sido um tamanduá-bandeira na outra vida, ou então um tatu-bola, só pode ser essa a explicação. Ando cansada, rastejo, busco coisas que não se vê em revistas nem na tv, e olhando pro lado tudo é cansativo, gasto, previsível. Acreditar não é mais a palavra e sim saber lidar. Não sei lidar, me dá uma carona pra floresta?


- "Run Baby Run" - Garbage


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[Sábado, Novembro 12, 2005]

A verdade e só

Viver em eterna exposição e de tanto ser visto, se tornar banal, cansou assim os ossos, descoloriu o coração e enfraqueceu os olhos. Troquei o não dito pelo dito e fiz disso verdade intensa, acalmando e disfarçando assim o tamanho, cor e forma, sendo musgo, Solidão.
O vazio que nos mantém juntos é algo que não cabe, (não mais) em foscas descrições. Somos pó e liquidação de vapor, somos a essência de baunilha na ânsia matinal, e quebramos o quadro que nos torna matéria, somos dor, identificação, silêncio e medo, sem forma nem gozo, sendo só, união ímpar.
E o fascínio não se quebra em disfarces programáticos. Somos a performance batida, o cansaço anunciado, a redenção sistemática.
E seus olhos, ah seus olhos! Amuleto que com meu sorriso enferrujado forma um doce, sendo o caramelo fragmentado que aceita o vazio e vive à dor, esperando um pão, já que a mão não nos unirá e nem o Tempo que outrora virá, será Guardião. Seremos o sorriso truncado, o olhar disfarçado e a lembrança do não.


- "Eight days a week" - Beatles


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[Sexta-feira, Novembro 11, 2005]

:: tóc, tóc, tóc, posso? ::




Sorte de hoje:
A sorte vem ao seu encontro

Vem a galope? Sabe cozinhar? Come carne? Leva o cachorro pra passear? E o lixo? Fecha um parênteses ao sorrir? E sabe rir de astrologia orkuteana?

Vou colocar meus bobs desde já!



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[Quinta-feira, Novembro 10, 2005]

"cri, cri, cri, cri, cri, canta o grilo para a sua namorada-aaaa"



:: E meus olhinhos brilhaaaaaam ::





Mas, mas, mas, mas... Como assim? Quais são os critérios? E os livros? E, e, e...

Merda! Cancelaram minha assinatura! Menos uma revista (de novo)!
Ahhhhhhhh, faça me o favor!

Acalmando o âmago, eis a questão: cricar ou não cricar?



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[Sábado, Novembro 05, 2005]

Pedido número um: uma torta de pica-pau, oops, de pessoas esdrúxulas

Tô lendo sobre Pop Art e diga-se de passagem, é fascinante-ê.
Faltam uns 20 dias pra eu pegar no canudo (sem duplo sentido, por favor!) e uma professora pediu simplesmente um projeto semestral ou anual de aula de Artes para o Ensino Fundamental ou Médio. Anh? Como assim? Isso mesmo, também tive essa reação além de internamente mandar ela ir à merda. Sim, internamente, tô no último semestre, falta pouco!

Dia da votação em sala de aula, trocentos tópicos na lousa pra tal 'matéria optativa', que na realidade eu optaria não ter nenhuma matéria, todo caso, os nerds Mor da minha sala, optaram em ter. Já que era praticamente obrigado, optei por algo que poderia ser bacana, literatura infantil. Ah vai! Estudar um semestre especificamente literatura infantil deve ser bem bacana. Deve, isso mesmo, meu tópico teve só dois votos.

História da Arte, legal? Não, não é legal. Além do povo ter escolhido essa matéria de penga só pra poderem 'pegar aulas de Artes nas escolas públicas' (pode?), são as duas últimas aulas de sexta a noite, sendo que se você faltar, você reprova, já que a professora conta 'com a sua participação' como avaliação, ahã, só falta levantar a mão pra pedir pra ir ao banheiro.

Ontem a aula foi sobre o Van Gogh e uma tal de Camille, uma cidadã que mais ou menos aos 32 anos foi internada num manicômio, pois fumava ópio, bebia muito, tinha um caso com um cara casado e esculpia umas coisas malucas pra época. Pô, aleluia! Até que enfim uma aula que não me fez dar a desculpa de ir ao xerox e não mais voltar.

É, não pensem que as aulas são legais porque de fato não são. Eu gosto de todas as manifestações artísticas, desde as mais piegas até as mais porra-louca, mas o que não ajuda é a professora, que querendo ou não, caga qualquer expectativa de aprendizado. É por isso que eu digo e repito, pra você ser professor, você precisa ter dom, caso contrário, você acaba sendo lembrado como o insuportável que tirou a vaga de um que poderia estar fazendo bem melhor o que você fez ou faz. Crueldade meus queridos, crueldade.

E por falar em Pop Art, eu toda empolgada, saltitante e sorridente, apresentei um esboço pra professora sobre o movimento artístico que eu quero aplicar. Eu notei um certo desânimo dela, o que me broxou, mas como estou no meio do livro sobre Pop Art, nem liguei pra cara de jiló dela. Sim, ontem ela comentou em aula sobre Pop Art e olhou com um certo desdém pra mim, dizendo ser um movimento totalmente ligado às tradições americanas, européias e que o movimento aqui no Brasil é enraizado por influências de lá, e que seria bem mais interessante olharmos para a nossa arte, a nossa linguagem, nossa cultura. Isso foi uma indireta? Foda-se os Estados Unidos (balance o seu vestido, pra frente, pra trás, um, dois, três, rs) e toda a influência Européia, já tô quase terminando o livro e eu gosto de Pop Art, gosto do Romero Britto, acredito que não somos 'puros' em nada, principalmente em aspectos culturais e falo mouse ao invés de rato, ou ela não? Ahhhh, faça me o favor Capitão Caverna!

Sim, eu gostaria de estar na manifestação contra o Bush usando uma camiseta "Pop Art sim, sua esdrúxula!" levando borrachada e queimando bandeiras dos Estados Unidos balance o seu vestido.

Ah vai! Querendo me botar moral quanto ao Brasil? Tsc, tinha mesmo que ser matéria optativa.

Óóóóóóóóó... chamei pro pau!


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[Sexta-feira, Novembro 04, 2005]

Greve! Puta, braba, sem saco, paciência, com dores fortes do estômago e cabeça e pedindo pra Deus pra que esses dias passem rápido ou acabem de vez, triunfante, com todo resto de alegria e bom humor que me restam. Essa homeopatia de alegria me cansa!

Não, dessa vez não é a TPM, é ´acordene pra videne´, se assim preferir.

Um pedido? Três dias de silêncio em minh´alma.

Posso esfregar a lâmpada?


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[Quinta-feira, Novembro 03, 2005]

Quem não tem colírio?


Além de morar no 'Paraíso do Verde' interiorano, agora até o meu prédio entrou no clima e está... verde!

Sim, democracia. Votei no pistache e ganhou o menta - verde neon quando bate sol, resumindo, o ano todo, verde menta neon pop celebration.

De cada 10 casas daqui da cidade, 9 são amarelas.

Diz ou não diz, somos praticamente uma cidade patriota-tá, não alienada (anh?).

"Caminhando contra o vento sem lenço, sem documento..."


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[Quarta-feira, Novembro 02, 2005]

"Tenho sido sempre um sonhador irônico, infiel às promessas interiores. Gozei sempre, como outros e estrangeiro, as derrotas dos meus devaneios, assistente casual ao que pensei ver. Nunca dei crença àquilo em que acreditei. Enchi as mãos de areia, chamei-lhe ouro, e abri as mãos dela toda, escorrente. A frase fora a única verdade. Com a frase dita estava tudo feito; o mais era a areia que sempre fora.

Se não fosse o sonhar sempre, o viver num perpétuo alheamento, poderia, de bom grado, chamar-me um realista, isto é, um indivíduo para quem o mundo exterior é uma nação independente. Mas prefiro não me dar nome, ser o que sou com uma certa obscuridade e ter comigo a malícia de me não saber prever..."

Fernando Pessoa - O Livro do Desassossego


É, esse livro já é meu vício, não consigo mais ficar sem, não mesmo!
E nem me venham com chicletinhos e adesivos pro meu lado, hein?


ouvindo: "Moonshine" - Gram


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[Terça-feira, Novembro 01, 2005]



Tá, tá, tá...

"Veeeem, que a sede de te amar me faz melhor" - Ô penga! A carência sobre gritante pelas paredes nesses tempos estranhos com músicas previsíveis regadas com muito chororô e filmes nas tais ociosas tardes televisivas. E olha que não sou a única não. Ihhh, a fila é grande meu fi, nem vem furando não!

Mulher que é mulher não vive sem homem. Viver no sentido romântico, vulgar, intelecto, e todos os sentidos e necessidades possíveis. Eu sou mulher tanto biologicamente, psicologicamente e quantos entes você desejar, tanto que não posso ver mulher do meu lado que começo a ter náuseas e comichões. Já tô de bom tamanho, até já passei.

Nunca rasguei nenhum sutiã porque de fato o bicho tá caro e também teria vergonha de tamanha bizarrice por trás de um ideal sem muita lógica. Mulher com ou sem sutiã sente falta de bizarrices únicas e exclusivas dos seres masculinos, machô-chôs, hombres, enfim, tirando teu pai, tio e avô.

Homem com cheiro de lavanda pós-barba sendo com barba mais cheiroso. Mulher prendendo o cabelo tornando este ato fascinante. Homem concentrado, não tanto quando o suco. Mulher sorridente e timidamente eficiente. Homem romântico no ponto, sem salada, por favor! E assim os dois são um par sendo aquele escondido, lá do fundo, o casal ímpar 'pop celebrity'.

Compensar no chocolate e afins é coisa de filme, compensado pra mim só madeira e olhe lá, conhecida como a madeira 'quebra galho' e 'temporária', coisa doida não? Balada nem pensar, mas nem pensar mesmo, no máximo o cachorro-quente que fica em frente da balada, e olhe lá também. Ligar pra amigos e marcar cineminhas e afins é uma boa pedida, mas boa parte dos meus amigos estão namorando ou vão pra balada beijar 150 por noite. Já disse do meu asco por baladas? É, acho que já. Nada contra os beijos, cachorros-quente e contra os meus amigos. Tá feliz? Pronto e acabou! Colocou purê no meu?

Não to desesperada, to carente, e isso é relativamente normal. Carente de ideais, de afinidades, de sorriso sincero, carinho dado na hora certa, afago sentimental, beijo na boca, planos mirabolantes e aí por diante. Tá, tá, tá... Pode chamar isso de coisa de 'mulherzinha encalhada nos tempos modernos' e tudo mais o que desejar, só não demora muito porque o filme já vai começar e apaga a luz pra disfarçar o maior vazio que tá aqui entre eu e você.

Shiiiuuu... já começou!



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